sábado, 5 de julho de 2008

Dando continuidade a esse tema de BENÇÃO E MALDIÇÃO, procurarei ser o mais prático possível, pois prática é a Palavra de Deus. Suas doutrinas têm um efeito na vida de cada um de nós, porquanto nada pode estar encoberto perante o Senhor. Ora, se essas pessoas descritas por nosso Senhor como sendo espiritualmente pobres, noutra linguagem são os “mendigos espirituais”, é de se esperar que elas sintam falta, estão desprovidas de recursos espirituais. Temos que nos envolver com a Palavra de Deus para que descubramos quais são essas riquezas espirituais tão buscadas por aqueles a quem Jesus Cristo veio salvar e outorgar vida eterna.
FALTA VIDA. Obviamente falta aquilo que é principal - a vida. A própria Bíblia afirma que o pecado trouxe morte: “O salário do pecado é a morte...”. Essas almas possuem vida natural, mas aquilo que é da natureza alienada de Deus, produto da carne que não pode agradar a Deus (Romanos 8:8). Sendo assim, elas desconhecem a Deus e estão distanciadas da glória de Deus e do Deus da Glória. Elas nada sabem em que situação o pecado colocou-as e quando ficam sabendo a respeito das perfeições de Deus descobrem que estão no pó e no desespero porque nada podem fazer por si mesmas para achegar-se a Ele. Querem subir, mas descobrem que só conseguem descer, como alguém que ao tentar escapar da areia movediça afunda ainda mais. Estão presas, emaranhada na rede do pecado da qual não conseguem escapar. Procuraram em todos os meios conseguir vida, mas era apenas ilusão; acharam emoções momentâneas, por isso gritam, clamam, choram, suspiram no íntimo como que perguntando: “Que faremos para herdar vida eterna?”
FALTA PAZ. Àquele que é espiritualmente pobre lhe falta paz com Deus e a paz de Deus. Procurou a paz que o mundo dá, através do conforto, da riqueza, da religião, das amizades, etc., mas percebeu que essa paz produzida aqui não somente era semelhante à fumaça que passa como também perigosíssima, porquanto não era a verdadeira paz proveniente de justiça e retidão exigidas pela justa lei. Não escondeu sua situação, mas lançou fora como trapo imundo aquilo que tanto as multidões buscam como se fossem verdadeira felicidade e paraíso desejáveis, para dar plena vazão a sua situação interior, porquanto sabia que dentro de si nada havia a não ser conflito e ininterruptas perturbações.
FALTA JUSTIÇA. Aquele que é pobre perante Deus sente falta de justiça, ou retidão. Ele tentou várias vezes buscar justiça na lei, obedecendo alguns detalhes da santa lei de Deus, mas ao tentar chegar perto das perfeições dela descobriu que não passava de um amaldiçoado, pois jamais conseguia cumprir as exigências e os rigores da perfeita lei. Ele vê que suas mãos estão manchadas (Salmo 24), que seus pés dispostos para correr para o mal, são inclinados somente para buscar aquilo que é transgressão perante Deus; sua boca está fechada (Romanos 3:20), afinal o que ele vai falar perante um Deus Santo? (Isaías 6).
Ele sabe de sua condição de imundície (Isaías 64:6) e que Deus contempla sua situação espiritual, cheio de chagas purulentas da cabeça aos pés (Isaías 1). Talvez tentasse várias vezes usar as “folhas de figueira” a fim de expor perante Deus alguns traços de justiça própria, tentando fazer o melhor possível numa igreja, ajudando ao máximo as pessoas com obras de caridade, e procurando ter um elevado caráter perante a sociedade, mas já percebeu ser tudo inútil e desesperador, porque não pode esconder a realidade do seu coração da corrupção interior e do seu distanciamento de Deus. Sabe que a ira de Deus estava sobre si e que as flechas dos terrores de Deus estão sendo atiradas e não lhe atingiram ainda devido a misericórdia do próprio Deus. Amigo, examine seu ser perante o Deus da Bíblia e veja se é você alguém espiritualmente pobre, porque é esse tipo de pessoa que Cristo veio buscar e salvar.
Lucas 6:20-26
No Velho Testamento, no livro do profeta Isaías temos um acontecimento que também explica o que significa pobreza espiritual. Envolveu a vida do próprio Isaías que naquela época deveria ter entre 16 a 20 anos. Conforme o cap. 6, aquele jovem teve uma visão da Glória de Deus, e esse acontecimento inusitado serviu como um ante preparo para que Deus mostrasse quem era o verdadeiro Deus de Israel em todo esse maravilhoso livro de 66 capítulos, contrastando assim com os ídolos tão buscados e venerados pelo povo de Israel naquela época. A visão de Deus foi algo aterrorizante na vida do jovem profeta. Ali ele pode saber a realidade do que significa na prática ser pobre de espírito. Isaías quando contemplou a glória de Deus foi como que rasgado e descoberto por dentro para ver os horrores de seu próprio coração corrompido pelo pecado, mas que até então estava encoberto pelo orgulho.
Ali ele viu o que praticava com sua própria língua. Era um moço de um linguajar sujo, profano, malicioso, como ele mesmo afirmou: “Sou um homem de lábios impuros...” A visão da glória de Deus veio como um facho de luz para mostrar o horror de seu coração ante a majestade Sublime do Deus Santo, Santo, Santo. Foi ali que Isaías, não somente viu seus pecados, como também viu a situação social do seu povo. Ele diz: “Ai de mim, sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios...”.
Prezado leitor, em poucas palavras esforcei-me para descrever ao seu entendimento o que significa ser “pobre de espírito” ao usar algumas ilustrações tiradas da própria Bíblia. A definição, portanto, é que uma pessoa pobre de espírito é alguém que enxergou a si mesmo conforme Deus mostra em sua palavra, e essa pessoa, perante Deus não está fugindo, encobrindo e silenciando o pecado na alma, mas está com a porta de seu coração completamente aberta para Deus, pronta para uma genuína confissão.
Ela está caída, prostrada perante Deus. Certamente é uma pessoa contrita e convencida que nada tem de recurso em si mesma para achegar-se a Deus. Ela não está fazendo isso para chamar a atenção das pessoas, a fim de mostrar que é muito religiosa ou espiritual. Ela não está interessada em saber o que as pessoas pensam dela, mas sim triste e pesarosa pela sua situação de um pecador manchado pelo pecado, que Deus está vendo a sua triste condição da qual não pode escapar por si mesmo, e sem qualquer condição de achegar-se a Deus.
Foi assim que Pedro, o pescador, viu a si mesmo quando percebeu aquele homem que mandou jogar a rede para o lado direito do barco era o próprio Messias. Pedro disse: “Senhor, afasta-te de mim porque eu sou um pecador” (Lucas 5:8). Também, o Grande Deus afirma várias vezes em Sua Palavra que Ele é Deus dos contritos e quebrantados de espírito (Isaias 66:2). Vemos também essa verdade registrada no Salmo 51 quando Davi sentiu o quebrantamento do seu coração perante o Deus de toda Misericórdia. Se esta meditação tem chegado a um coração assim, pode estar certo que o Deus da Palavra é o seu Deus. Pode estar certo que você é uma alma bem-aventurada. O Senhor afirma que pertence a você o Reino de Deus.
Nosso objetivo agora é desvendar o segredo que envolve a pessoa descrita por nosso Senhor como “pobre espiritual”. Nosso Senhor Jesus Cristo afirma no texto que essas são as pessoas bem-aventuradas. Como podemos detectar o que significa aquela pobreza vista por Deus como a genuína pobreza que atrai os olhares de misericórdia do Deus Altíssimo? Logicamente temos que descobrir isso usando a própria Palavra de Deus. Se tentarmos buscar lógicas para isso no meio dos homens ficaremos decepcionados porquanto os pensamentos dos homens não são os de Deus, nem os caminhos dos homens são os de Deus.
No meu primeiro argumento quero mostrar que a pessoa “pobre” conforme a descrição de nosso Senhor Jesus, é aquela cuja pobreza é vista quando comparada com a glória de Deus (Romanos 3:23). Essa pessoa foi, como que, despertada para enxergar algo eterno passando a ver sua miserável condição.
Tomemos a ilustração daquele moço que estava crucificado ao lado do Senhor Jesus (Lucas 23). Ele não passava de um criminoso, ladrão, mas de repente, bem na hora da sua execução, o momento crucial; quando seu colega zombava e escarnecia do Senhor Jesus juntamente com a maior parte daquela multidão, aquele moço foi atraído ao lugar de arrependimento. Ele viu sua drástica situação, percebeu que o homem crucificado ao seu lado, não era uma homem qualquer, mas sim o próprio Messias, o Salvador. Viu em que consistia sua real pobreza, não na ausência de recursos materiais que o levara a uma vida de inveja e consequentemente de roubos. Pelo lampejo da misericórdia percebeu seu total desamparo, quando comparou sua pobre existência terrena com a sublimidade do Altíssimo.
Naquele momento viu que estava indo para o inferno, merecendo ser atirado ao abismo e que não tinha em si mesmo qualquer recurso próprio para subir para o Paraíso de Deus. O peso dos seus pecados o atraía para o juízo eterno. Ele viu sua própria indignidade ante a Dignidade de Deus, sua própria sujeira ao presenciar a pureza de Jesus, o Filho do Deus Vivo. Foi nesse espírito de humilhação e quebrantamento que aquele mendigo espiritual pediu ao Salvador crucificado para lembrasse-se dele quando entrasse no Seu Reino. Uma cena comovente e que mostra o que significa ser pobre espiritualmente como o Senhor fala em Lucas 6:20.
Concluo a meditação de hoje dizendo que certamente não faltam falsos mestres que dão à multidão o ilusório conforto espiritual e que há algo de bom no homem causando admiração profunda em Deus. Estamos vendo a Palavra de Deus cada vez mais sendo lançada ao descrédito e relevada ao esquecimento. O Livro Santo está sendo usado como livro da sorte para buscarem um verso aqui e outro verso ali a fim de satisfazer os anseios de prosperidades. Não há situação pior para a sociedade quando os homens procuram andar em seus pecados usando o nome de Deus para isso. Mas é esse o quadro de nossos dias, por toda parte estão dizendo: “Paz e segurança” enquanto de forma descarada transgridem a santa lei de Deus, fortalecidos no pensamento que podem passar sem qualquer julgamento por parte do Grande Juiz. Enquanto vivem em suas prostituições, adultérios, roubos, luxúrias, destruindo vidas, lares, corrompendo a sociedade, estão apenas aumentando a Ira de Deus ainda mais, para que repentinamente sobrevenha destruição sobre si mesmos.
BÊNÇÃO E MALDIÇÃO
Lucas 6:20-26
O que importa para nós agora é a tão impressionante lição que nosso Senhor nos traz. Temos na linguagem usada por nosso Senhor uma verdadeira e conhecida descrição do homem interior, do homem espiritual quando tem um encontro com o Deus que é riquíssimo em misericórdia (Efésios 2:4). A lição é exatamente aquilo que a bíblia toda apresenta, é a mensagem clara e genuína anunciada pelos profetas, pregada pelo Senhor Jesus, proclamada pelos apóstolos, e zelosamente pregada por todos os servos de Deus em todos os tempos e em todos os lugares.
O Deus da Bíblia que reina no céu e na terra, dono absoluto de tudo é o Deus de homens e mulheres pobres na alma, mendigos espirituais, daqueles que nada possuem de qualquer recurso em relação a Deus. Vemos essa mensagem em todo livro dos Salmos, onde o Espírito Santo mostra esses homens e mulheres em clamor pedindo socorro e livramento do alto para seus anseios espirituais e eternos. Os falsos mestres apoderam dessas passagens bíblicas para relevarem o aspecto material e transitório dos homens. Assim eles expõem perante as pessoas a idéia errada a respeito de Deus e do caráter do Reino Dele, exatamente como faziam os falsos profetas na história do Antigo Testamento, tendo em vista fins lucrativos assim como estamos vendo acontecer em nossos dias com o uso do nome do evangelho.
O reino de Deus é reino do céu e não daqui da terra. A mensagem transmitida por nosso Senhor dá uma aparência de que o Seu reino é daqui, e que Seus interesses ao vir aqui tinham em vista dar aos homens melhores condições de vida no que tange aquilo que os homens tanto buscam. A linguagem usada por Ele é bem conhecida pelos homens a respeito de pobreza ou riqueza, mas aqueles que têm seus ouvidos sintonizados com toda mensagem que entrelaça toda Escritura, verá que nosso Senhor quer nos elevar às alturas e assim contemplemos as maravilhas e as riquezas intermináveis. Realmente nosso Senhor veio ao mundo buscar pessoas pobres para faze-las herdeiras do reino do Seu Pai. As riquezas deste mundo não são comparadas ao que Deus tem prometido para Seu povo que há de habitar no céu.
Entretanto, a triste verdade é que quase não podemos achar pessoas nesse estado de mendigos espirituais, que enxerguem seu estado de pobreza espiritual, porque os falsos mestres em nossos dias têm trabalhado incansavelmente para conceder aos homens uma idéia fantasiosamente errada a respeito de Deus. Os homens hoje se acham vítimas do sofrimento causado pelo pecado e que Deus existe para socorrê-los e atendê-los em tudo aquilo que simplesmente pedirem. Para eles não existe nenhuma barreira ocasionada pelo pecado e Deus é um ser digno de dó, precisando de homens e mulheres que demonstrem muita fé Nele. Também para eles Deus está aliado aos seus pecados e que basta um mero pedido de perdão ou mesmo o recitar de uma passagem bíblica e tudo está resolvido; ficam empolgados quando estão reunidos para oferecerem louvores através de barulhos, de gestos e de músicas que citem os nomes de Jesus, de Deus o Pai e do Espírito Santo.
Amigo leitor, qual é a sua condição diante de Deus neste momento? Se for achado como alguém espiritualmente pobre, pode estar certo que o Deus da Bíblia é o seu Deus.
BÊNÇÃO E MALDIÇÃO
Lucas 6:20-26

Cristo dirige-se a um grupo de pessoas e lhe diz: “Bem-aventurados, vós, os pobres...” Ora, será que o Senhor está mostrando ao mundo a sua posição sócio-política? Será que o Senhor está se colocando ao lado daqueles que, economicamente são menos privilegiados, como os sem teto, os sem terras, sem emprego, etc.? Será que o Senhor está se posicionando contra as pessoas que têm maiores recursos, as mais prósperas economicamente? Será que o Senhor está mostrando que o Seu ministério ao vir ao mundo foi para abençoar aqueles que são materialmente pobres e proporcionar-lhes melhores condições de vida aqui? Será que o Senhor veio a este mundo com a finalidade de ameaçar os ricos com duras palavras de maldição para arrancar-lhes seus bens? A resposta clara e dogmática é: NÃO! Se queremos examinar bem as Sagradas Escrituras veremos que o propósito de Deus nada tem a ver com a questão social tão buscada pelos homens, como tão falada e badalada em nossos dias nos chamados meios evangélicos.
Então, se nada tem a ver com aquilo que é material, o que o nosso Senhor está querendo nos ensinar quando Ele diz: “Bem-aventurados vós, os pobres”? Por que digo e afirmo que o Senhor não está referindo a nada daquilo que é desta vida passageira e que tanto agrada as paixões dos homens carnais? Pesquisando um pouco algumas passagens do Velho Testamento, vemos que Deus nunca jamais manifestou qualquer interesse em assuntos que visam apenas a existência terrena e transitória dos homens. Quero citar algumas referências que ajudarão na compreensão do assunto.
Por exemplo, no Salmo 62 verso 9 o Espírito Santo diz: “Somente vaidade são os homens plebeus (ou mendigos); falsidade os de fina estirpe (os ricaços); pesados em balança, eles juntos são mais leves que a vaidade”. Do Senhor é a terra e os céus, do Senhor é a prata e o ouro; do Senhor são os animais; o Senhor reina sobre tudo e sobre todos, e sendo Ele dono absoluto, tem autoridade e poder para tomar de quem quiser tomar e dar a quem quiser dar. O rei Davi no final de sua vida, quando, com povo de Israel ajuntou todo material necessário para a construção do templo, disse em adoração em forma de oração a Deus: “Riquezas e glória vem de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder, contigo está o engrandecer e a tudo dás força” (1Crônicas 29:12. Ele diz mais: “Porque somos estranhos diante de ti e peregrinos como todos os nossos pais; como sombras são os nossos dias sobre a terra, e não temos permanência.” (verso 15). Sabemos que muitos homens que temeram ao Senhor e que andaram com Deus foram homens ricos, como Abraão, Isaque, Jó e muitos outros. Por outro lado, muitos santos de Deus passaram por esta vida como pessoas pobres, como a maior parte dos discípulos de Jesus os quais eram simples pescadores.
Então, tendo esse fundamento bíblico, podemos afirmar que na passagem lida, de Lucas 6, o nosso Senhor de maneira alguma se refere ao aspecto material. Sendo isso verdade, resta agora afirmar que nosso Senhor está expondo a verdadeira pobreza, a do homem no espírito, a pobreza que é verdadeiramente exaltada na palavra de Deus. Cristo veio buscar homens e mulheres pobres, mas pobres no sentido de ausência de recursos espirituais.
Mas é bom afirmar que a pobreza referida aqui se trata de um estado em que a pessoa se encontra completamente oposta à situação de um rico. Na nossa linguagem seria usada a palavra “mendigo”. Há muitos pobres que estão lutando para atingir certo nível social que outros atingiram. Alguns estão procurando ajuntar bens ou mesmo estão estudando para alcançar uma condição melhor de vida na sociedade. Mas na linguagem usada por nosso Senhor, Ele está referindo a uma pessoa que se acha numa situação desesperadora de miséria ao ponto de ter que suplicar, rogar, pedir encarecidamente por socorro, assim como um mendigo clama pedindo dinheiro, ou mesmo alimentação.